Uma história, que remonta séculos vividos por um povo que, de certo modo, mesmo rústico, estabelecera, entre si, a constituição de costumes trazidos, como modelos próprios de cada lugar, onde havia as origens destacadas de cada um que o governava, de modo legal ou por imposição, como era de costume nas grandes colônias, e não sendo diferente nos pequenos arraiais do nosso Brasil do século XVIII e XIX.

Nesses séculos, começam a serem descobertas as primeiras minas de ouro na região do que hoje é o Estado das Minas Gerais. O centro econômico desloca-se para a região Sudeste do Brasil. A mão de obra nas minas, assim como nos engenhos, continuava sendo a escrava de origem africana. A Coroa portuguesa, que governava essas terras, cria uma série de impostos e taxas para lucrar com a exploração do ouro no Brasil, vindo consigo o crescimento das cidades na região das minas, com grande urbanização, geração de emprego, renda e crescimento econômico.


Maquete, feita por Waldir Madureira Costa, da então comunidade de São Sebastião de Macaúbas em 1950… Hoje, conhecida como Caturama.

Eis que começa a surgir… Caturama!

Genealogicamente, a unidade administrativa de Caturama resultou de uma sucessão de desmembramentos daquilo que foi primeiramente Jacobina (em 1720) da qual se separou, entre outros, Paratinga (em 1745)-antiga comarca do Urubu. Do fracionamento desta, quase 100 (cem) anos depois, surge “Macahubas” (em 1832), que até então, continua e conserva genericamente sua identidade, do ponto de vista etimológico. Esta cidade, em razão da reforma ortográfica de outrora, perde unicamente a letra oitava do nosso alfabeto, “h”, e simplifica mais o nome para aqueles que tinham dificuldades de inserir a escrita no papel: “Macaúbas”. Consigo surgem os arraiais adjacentes, a exemplo de Assunção (hoje Boquira); Santa Rita, Bucuituba; Lagoa Clara; (Betânea) Canatiba; Caetitú (atual Botuporã); São Sebastião (atual Caturama), cuja origem data de 1838 ou 1840. Palavra esta de origem tupi guarani cujo significa “Boa Sorte”; e por ultimo, Tanque Novo. Um verdadeiro Estado, ou maior que muitos países do Leste europeu!

São Sebastião não foi diferente, a exemplo de muitas comunidades existentes no Brasil daqueles tempos! Palco de batalhas sangrentas em busca da permanência de poder nas mãos daqueles que o detinham: assim predominava a luta armada em detrimento daqueles que defendiam ideologias opostas.

Principia a povoação deste arraial, com apenas 03 (três) casas que, supostamente, pertenceram a 03 (três) famílias, três cabos eleitorais, que defendiam interesses políticos de chefes maiores a exemplo de Doca Medrado, Capitão Porfírio Brandão do Brejo de Macaúbas, Capitão Manoel Lourenço Seixas, posteriormente Horácio de Matos e Capitão Francisco Borges de Figueiredo, que detinham seus subalternos nos pequenos arraiais para defendê-los de possíveis ataques, quer seja do ponto de vista político-ideológico, quer seja de vândalos, que também se sucediam (ou surgiam?) com grande frequência naqueles famigerados tempos. Pretensiosamente ou não, os diálogos se convergiam a ponto de se divergirem. Desentendimentos, falácias, bate-bocas. Enfim, um campo de desentendimento sem precedentes.


Conta-se que a casa do lado do nascente (oriente), mais conhecida naqueles tempos, como CASA DO CUPIAL, (Casa do cupido, deus do amor na mitologia italiana) que ia de uma extremidade lado nascente e acabava na passagem, estrada que dividia com a casa dos Lages no nosso entender. A sua designação se alastra, por ser de fortes tendências a um conhecimento polido de seus detentores que pertenciam a família dos Pondes. A casa que situava no norte se estendia por um longo trecho e se confrontava com a casa dos Spinolas, que pertencia aos Lages. A que ficava lado sul pertencia aos Spinolas. Por fim, logo após a fixação dessas famílias, ergueu a pequena Capela em louvor ao glorioso São Sebastião, sendo assim, erigido o Templo de fé para os cristãos de nossa terra. Estas três famílias, poucos deixaram origens, mas sabemos que o Patriarca dos Lages, JOSÉ LAGES, vendera seu patrimônio, rumando à Capital do Estado da Bahia, Salvador, onde morrera vitimado por um triste acidente, na construção civil de sua propriedade.


É do nosso conhecimento uma triste história, ocorrida em meados do século XIX, em que os vândalos chefiados por grupos de ciganos invadiram o arraial e foram combatidos pelas tropas aliadas do vilarejo, travando-se em lutas até a lagoa dos ciganos, localidade situada entre a Fazenda Tapera, as margens do Rio Paramirim, e a região do umbuzeiro nesse distrito, onde, indubitavelmente, jaz o maior palco sangrento e vergonhoso de nossa história! Alguns corpos espalhados dentro da lagoa que estava semicheia, possivelmente por ter ocorrido no período das chuvas. Conta-se que suas águas ficaram avermelhadas, tingidas pelos ferimentos das vítimas dilaceradas a bala, por onde corria o sangue que banhava aquele lago, outrora de águas claras, tendo em vista os ferimentos suscitados pelas tropas que alvejaram aqueles infelizes seres.


Há relatos de que, por volta do início do século XX, houve um desentendimento político, travado entre tropas do Capitão Francisco Borges de Figueiredo e o grupo de Arthur Ponde, que se divergiam. São pegos de surpresa os Pondes, que tiveram a sua casa metralhada, e que sem a menor oportunidade de defenderem, não lhes é dada chance de reação, a não ser a de fugir pelos fundos. Houve, de fato, uma verdadeira chacina. Os sobreviventes se refugiaram, rumo certo, na cidade de Jacarezinho no Estado do Paraná, onde existem os remanescentes sobreviventes daquele holocausto. Não se pode olvidar, por sua relevância histórica, que as tropas de Horácio de Matos, aliadas às de Francisco Borges de Figueiredo e a família Badaró combateram com muito rigor os idealistas do Partido Comunista do Brasil, capitaneados por Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, cujos princípios básicos do seu ideal revolucionário eram: a Igualdade, a Liberdade, a Fraternidade, sem esquecer o bem comum para todos…



Cresce o arraial e ganha forma e nomes o nosso, até então, povoado.

Começa, aqui, também, a exploração de jazidas minerais de alto valor. A monocultura da agricultura familiar, cominava com a possível industrialização de seus subprodutos, a exemplo da cana de açúcar, algodão, mandioca, sisal etc., cultivados principalmente às margens do Rio Paramirim, por serem suas terras férteis, produtivas e irrigáveis, de modo a serem comparadas com as do Rio Nilo. Havia também criação de rebanhos bovinos, equinos, suínos, ovinos, e caprinos! Estes, por ser a principal atividade economicamente viável para os criadores desses tempos. O agronegócio tinha como ponto de escoamento, em escalas satisfatórias de produtos comerciais, o Rio São Francisco.


Cresce o arraial… E consigo também os pequenos empreendimentos familiares. Órgãos Federais, Estaduais e Municipais são instituídos. Por volta de 1897, é criada a unidade judiciária (Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, com funções Notariais, sendo indicado para ocupar o posto de Oficial e Tabelião de Notas, o Sr. Manoel do Nascimento e Silva. Posteriormente João Almeida, no período que vai de 1940 até 1947, que é sucedido pelo Sr. ARTHUR ANTONIO COSTA, nos anos de 1947 até 1978; e, MARIA HELENA COSTA SANTOS, de 1978 até a presente data ( 18.01.2014). Cria-se também a unidade do Juizado de Paz do Distrito, sendo o primeiro a ocupar aludido posto, Antônio da Silva Guedes, o qual sucedido pelos senhores, Dioclides Teixeira Novato, José Ribeiro Lula, Dionizio Rodrigues Bonfim, Alfredo Fernandes Bonfim, Manoel Rodrigues Bonfim, Gervásio Antonio Rocha, Aureno Joaquim do Rego, Antonio Ferreira Mendonça. Posteriormente, institui a SECRETÁRIA DE SEGURANÇA DO ESTADO e, com isso, cria-se a SUBDELEGACIA DE POLÍCIA, tendo como PRIMEIRO Subdelegado o Sr. Júlio Domingues, seguido no quadro de sucessão pelos Sr. Agenor de Oliveira Brandão, Francisco Lemos Silva, (Chico de Anizia), Antonio da Silva Guedes, Dionizio Rodrigues Bomfim, Trajano José de Macedo, José Cardoso Filho, João Batista Leão (João de Felipe) e Afonso José de Santana (Delson), José Jorge de Oliveira (Jorge de Inês) e, por último José Ferreira Cruz, todos indicados por representantes políticos nas épocas, tendo como inspetor de polícia o Sr. Pedro de Souza Tavares (Pedro Inspetor), nomeado pelo Subdelegado de Polícia da época o Sr. Dionizio Rodrigues Bonfim. Mais tarde cria-se também a UNIDADE DOS CORREIOS E TELÉGRAFOS, tendo como sua principal legatária, lá por volta desses anos, a Sr. Maria Avelina Novato, seguida de seus sucessores, Maria Mercedes Novato Bonfim, Sr. Dete , e, Adelice Caires Neves Rego. É de se lembrar também que grande parte dos Partidos Políticos do Brasil, a exemplo PSD, UDN, PTB, PDT e PC também foram criados aqui.


Surge o município de Caturama…

A partir de 1930, continuando como distrito de Macaúbas, quando vigora-se o Decreto-Lei nº 11089, o até então distrito de nome “São Sebastião” passa a receber o nome de “Caturama”, boa sorte em tupi-guarani. Em 22 de março de 1962, um outro distrito chamado de Botuporã se emancipa de Macaúbas e consigo carrega Caturama como seu distrito. Em 13 de junho de 1989, Caturama se desmembra de Botuporã e é emancipada (torna-se mais um município brasileiro). Depois surge a Prefeitura do mais novo Município, onde como primeiro prefeito indireto torna-se José Carlos Marques da Silva. Com as eleições de 1992, assume-a Walter Brandão (1993-1996), depois com as de 1996 toma-se posse Salomão Fernandes (1997-2000), nas eleições de 2000 vence José Carlos Marques da Silva (2001-2004) se reelegendo na então próxima de 2004 (2005-2008), as eleições de 2008 ganha-se Hugo Mendonça (2009-2012) e se reelege na próxima de 2012 (2013-2016), e por último, Paulo Mendonça vence o pleito eleitoral de 2016 (2017-2020).


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Escrito por Waldir Madureira Costa, com o apoio dos seus irmãos Erivaldo e Beza, e sobrinhos Marcelo Patrício, Leonardo e André Costa.

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